“Não faça teatro para o povo. Faça teatro a favor do povo.
Faço teatro para incomodar os que estão sossegados.
Só para isso faço teatro!”
A bela frase é de Plínio Marcos, mas poderia ser minha e de poucos mais.
“O que quer com a sua arte?”
Foi perguntado á nós num dia. A ofensa maior estava na comparação ao que os outros fazem com as suas variadas formas de trabalhar com a arte. Cada um faz arte da forma que melhor lhe cabe. Porém, não cabe á nós ser igual. Não cabe á nós sermos melhores. E o que queremos com a nossa arte? NADA! Isso mesmo. Nada. Não temos interesses. Ela que escolheu a nós. O certo seria perguntar o que a arte quer conosco e não ao contrário. Viemos ao mundo apenas para servi-la. Observar o que há ao nosso redor e transformar o que vemos em textos para que os outros possam também entender o que lhe cercam. Temos o foco na realidade. Nossos textos falam do que ouvimos você falar, das tuas brigas, intrigas, mentiras… A arte não é nossa. Não é mérito nosso. Nós que pertencemos á ela. Voz, mente, espírito, matéria orgânica… Atravéz dela que lutamos, buscamos força. Lutas e mais lutas por grandes transformações no mundo. Pois sei que ainda desfrutaremos de uma terra com boas plantações e quando chegar o dia da colheita todo o povo terá mesa farta. Trabalhamos com a separação do jóio do trigo. Um trecho que narra simplificadamente essa nossa ação, pode ser encontrado no livro A PREPARAÇÃO DO ATOR – Constantin Stanislavski (o que chamo honradamente de bíblia)
“O teatro pela publicidade e pelo seu lado espetacular, atrai muita gente que quer apenas tirar proveito da própria beleza ou fazer carreira. Valem-se da ignorância do público, do seu gosto adulterado, do favoritismo, das intrigas, dos falsos êxitos e de muitos outros meios que não têm relação alguma com a arte criadora.
Esses exploradores são os inimigos mais mortíferos da arte.
Temos de usar contra eles as medidas mais severas, e se for impossível reformá-los será necessário afastá-los do palco.
Portanto, você tem de decidir de uma vez por todas:
Veio aqui para servir à arte e fazer sacrifícios por ela
ou para explorar seus próprios fins pessoais?”
(frase do diretor Tortsov)
A nossa felicidade está em saber que quem perguntou está ombro a ombro nessa mesma luta. E que aos poucos, no tempo certo, vemos frutos e o mais difícil ainda, está em retirar a erva daninha.
E você, que parou por aqui, o que quer com a sua arte?
Obrigada!
Daiana & Juliana Martins
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